Presidente do Sudão ameniza discurso, mas intolerância a cristãos continua
Depois de determinar a retirada dos cristãos do Sudão, o presidente Omar al-Bashir amenizou o discurso e disse que não haverá violência para uma eventual migração para o Sudão do Sul. O país conquistou sua independência política no ano passado e é considerado majoritariamente cristão.
- (Foto: Mohamad Dabbouss / Reuters)O presidente do Sudão, Omar al-Bashir
“Está sendo exigido que os cidadãos do sul que queiram ficar no norte mostrem documentação para isso. O problema é que essa documentação não sai fácil para os cristãos, segundo o depoimento de pastores locais. Quem ficar, fica ilegal, o que gera todo tipo de transtorno”, explica Freitas.
Na explicação do missionário, no cotidiano dos cristãos residentes no país há represálias por partes do cidadãos muçulmanos, que os discriminam e tratam com truculência a emancipação do país ao sul. Os cidadãos do sul são identificados pela raça e características físicas.
Nesta região, a população em sua maioria tem ascendência nas raças tribais negras, muitas delas animistas. Mas nas concentrações urbanas a maioria da população é cristã.
“Igrejas históricas, como a Anglicana e a Presbiteriana, se estabeleceram na região há muitas décadas. Embora em muitos casos o cristianismo seja nominal, a fé desses irmãos tem fundamentado as guerras e dissensões com o norte islâmico no decorrer dos anos”, explica Freitas.
Segundo o missionário, no momento há tranqüilidade no país, sem retirada de pessoas. A barreira agora é a questão da obtenção dos documentos exigidos para a permanência no país. “Quem ficar, fica ilegal, o que gera todo tipo de transtorno. Na prática há represálias por parte de cidadãos muçulmanos”.
Segundo seu relato, apesar da negativa do governo sobre a violência contra os cristãos, a polícia e radicais muçulmanos continuam a “visitar” os pastores em seus bairros, fazendo com que sua permanência fique impraticável. “O discurso do presidente, porém parece positivo perante a comunidade internacional”, pontua Freitas.
Sobre as perspectivas futuras, o missionário explica que os pastores não sabem o que esperar, mas mantém a esperança. “Segundo o pastor M.E., convertido do Islã ao cristianismo, que representa a MAIS no país africano, eles não vão se deslocar a parte alguma. "Nossa sepultura será aqui mesmo, seja quando for", garante.
O líder religioso pede que a comunidade internacional permaneça atenta e continue orando e pressionando contra a injustiça a perseguição junto às comunidades cristãs no Sudão.
Omar al-Bashir está há 19 anos na presidência do Sudão. Ele é atualmente responsabilizado diretamente pela morte de mais de 300 mil pessoas, principalmente nas regiões de Darfur e Nuba Mountains.
Com a declaração da lei religiosa Sharia, há o temor da intensificação da perseguição aos cristãos. Uma ordem de prisão já foi emitida pela comunidade internacional contra al-Bashir. Sua acusação é de genocídio e crimes contra a humanidade.
Fonte: The Christian Post
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