Um ano após a morte de Kim Jong II e nada mudou na Coreia do Norte
Número de espiões norte-coreanos está crescendo; eles estão atrás de cristãos
Kim Jong-Un é mesmo diferente de seus predecessores e vai mudar o país?
Infelizmente, a resposta é: "improvável". Parece que a Coreia do Norte
está limpando apenas o exterior do copo e não o interior.
O líder norte-coreano Kim Jong-Un permite que as mulheres usem calças
em público, gosta de ver as apresentações de Mickey Mouse e seus amigos e
até fez uma pequena reforma da agricultura, porém não fez mudanças
importantes no primeiro ano após a morte de Kim Jong-II. Na verdade, ele
está preocupado em construir sua imagem e reforçar a segurança. Ele
aumentou o número de espiões procurando por organizações cristãs, na
China, que ajudam os refugiados norte-coreanos. O uso de televisão,
rádio e telefones celulares pelos cidadãos, também tem sido
cuidadosamente investigado e os cristãos não relatam mudanças em sua
situação.
O ano de 2012 deve ter sido muito atarefado para o Departamento de
Propaganda. O próprio Kim Jong-II, o "querido líder", anunciou há três
anos que neste ano a Coreia do Norte seria mais uma vez um país forte e
próspero. Ele morreu em 17 de dezembro de 2011 e deixou o país para o
seu filho, Kim Jong-Un, que aparentemente está com quase trinta anos. O
regime tentou modelar o seu novo líder conforme seu avô, Kim II-Sung.
Sua aparência e seus discursos espelham o eterno presidente da Coreia do
Norte, mas, há diferenças. A presença de Kim Jong-Un nas apresentações
com as personagens da Disney, além de mulheres usando minissaias e uma
orquestra tocando músicas do filme "Rocky", foi amplamente divulgada na
TV. Entretanto, o sonho de uma nação forte e próspera está ainda muito
longe do prometido.
A parte mais importante da reforma agrícola que Jong-Un anunciou foi a
de reduzir as unidades de fazenda cooperativas de quatro a seis pessoas,
com a colheita sendo dividida em 70-30% entre o governo e os
agricultores, enquanto aumenta a autonomia de fábricas e empresas.
Kim também enviou seu tio, Jang Sung Taek (formalmente o Segundo no
comando, mas designado a cuidar e guiar o inexperiente Kim Jong-Un), em
uma missão na China para encontrar um avanço para a situação alimentar.
Todos esses desenvolvimentos fizeram com que os observadores da Coreia
do Norte pensassem: Kim Jong-Un é mesmo diferente de seus predecessores e
vai mudar o país? Infelizmente, a resposta é: "improvável". Parece que a
Coreia do Norte está limpando apenas o exterior do copo e não o
interior. A sobrevivência do regime e a segurança são as únicas
prioridades.
O número de espiões norte-coreanos está crescendo. Eles estão atrás de
ativistas de direitos humanos e cristãos que ajudam refugiados
norte-coreanos. As patrulhas das fronteiras foram substituídas pela
Agência de Segurança Nacional, que pressiona quem for feito prisioneiro a
divulgar informações sobre cristãos ajudando desertores. Dentro do
país, cidadãos são pressionados a confessar seus crimes. Uma pessoa
disse a um repórter da DailyNK.com: "eles estão juntando pessoas das
fábricas, escolas etc., dizendo para que escrevam cartas confessando
exatamente qual mídia estrangeira eles assistiram até agora. Quando eles
te dão o papel eles te advertem de que sabem tudo mesmo, então é só
escrever; quando, onde e o que você viu e com quem você conseguiu e a
sua impressão sobre o que assistiu".
Colaboradores da Portas Abertas, dentro da Coreia do Norte, relataram
que não houve mudanças nas circunstâncias em que os cristãos vivem,
indicando que não há sinais de que Kim Jong-Un melhore a liberdade de
religião no país. Na verdade, alguns cristãos presos foram torturados e
depois soltos para atrair seus irmãos e irmãs ou servir como isca. "Isso
é extremamente trágico", diz um colaborador da Portas Abertas envolvido
no ministério entre os norte-coreanos. "É muito perigoso ajudar
cristãos que foram libertos pelo governo. Alguns foram torturados tão
severamente que não podem mais andar. Quase nunca podemos ajudá-los,
porque isso traria muitos riscos para nós. Tudo o que podemos fazer é
orar por eles. Sabemos que Jesus prometeu que não vai abandoná-los."
Trazendo esperança
O ministério da Portas Abertas sempre foi o de fortalecer o que resta.
Portanto, muito secretamente levamos comida, remédios, roupas, livros e
Bíblias para os cristãos na Coreia do Norte. Também treinamos os
refugiados e temos alguns outros projetos acontecendo, mas que não podem
ser divulgados. A coisa mais importante que podemos fazer é levar
esperança aos cristãos, orar por eles e mostrar o quanto nos importamos
com cada um. Temos entregado esses materiais, que são essenciais, apesar
de todos os riscos. Um líder de uma igreja escreve em uma carta
secreta: "não importam as circunstâncias que enfrentamos, continuaremos
firmes nas poderosas mãos de Deus e continuaremos a marchar com toda
força para o Reino eterno."
Nosso trabalho também é ajudar famílias cristãs que vivem em áreas
remotas, como por exemplo, uma família em particular: "uma irmã estava
sofrendo com sérios problemas de saúde e seus dedos e unhas dos pés
quase caíram devido ao trabalho forçado durante muito tempo. Porém,
pudemos ajudar a família dela com a graça e o amor de Deus. Eles
sofreram dores enormes por conta do trabalho forçado, mas nunca se
esqueceram de Deus. Ela ficou muito grata e não sabia como expressar sua
gratidão para todos aqueles que os ajudaram. Ela disse também que se
sente tranquilizada em saber que há irmãos e irmãs que estão sempre
cuidando deles. Ela permanecerá forte para ser fiel e fará tudo que
puder para retribuir todo amor que ela e sua família têm recebido."
Fonte: Portas Abertas
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