Viúva de senador cristão pede oração pela paz na Nigéria
´Encontrei conforto no Salmo 23. Lembrei-me que o Senhor sempre vai
cuidar de mim, mesmo durante os momentos mais difíceis`, disse Hannatu
Dantong
Já se passaram quase três meses desde que o marido de Hannatu Dantong
morreu. Muitos colegas e familiares a apoiaram durante esse tempo, mas
ela permanece em um profundo estado de luto. Em 8 de julho, o senador
nigeriano Gyang Dantong foi assistir a um funeral de mais de 100
cristãos, mortos no dia anterior por membros do grupo radical Boko
Haram, no estado de Plateau. Enquanto os corpos eram enterrados, homens
armados se infiltraram entre os presentes e atiraram contra todos os que
ali estavam.
"Uma das coisas mais difíceis de lidarmos é o fato de que nós ainda não
sabemos exatamente o que aconteceu naquele dia", desabafou Hannatu
Dantong, durante a visita de um colaborador da Portas Abertas. "Tudo o
que sei é que homens armados invadiram o funeral e mataram meu marido e
outros cristãos que mal haviam se recuperado da perda de parentes e
amigos queridos”.
Gyang Dantong foi membro da Assembleia Nacional da Nigéria. Ele
representava Jos, capital do Estado de Plateau. Atuou quatro anos na
Câmara dos Deputados e, depois, foi eleito para o Senado, onde trabalhou
durante os últimos cinco anos. Militante pela paz na região, em sua
função, Dantong teve de enfrentar muitas divisões culturais, religiosas e
tribais.
Médico por formação, Dantong era cirurgião no Hospital Cristão Vom, na
área rural de Plateau. Sua eleição para a Assembleia Nacional o levou
para a capital, Abuja. Apesar da distância (150 km), toda semana ele ia
ao hospital no intuito de ajudar com cirurgias.
"Meu marido fez muitas coisas para a Nigéria", disse a viúva. "Eu sei
que a sua vida abençoou muitos e Deus continuará usando o seu legado.
Ele amava a Nigéria e o povo nigeriano, a quem servia com todo o zelo".
Hannatu Dantong tem três filhos. Dois dele, Dan e Grace, frequentavam a
universidade, mas decidiram ficar em casa para fazer companhia à sua
mãe durante este tempo doloroso de lamento e luto.
"Eu nunca vou me esquecer daquele dia", disse ela. "Meu marido foi ao
funeral no início da manhã e planejava retornar logo para me acompanhar à
igreja. Como havíamos combinado o horário, e ele demorava a chegar em
casa, eu fiquei bastante preocupada e liguei para o seu telefone celular
várias vezes, mas ele não atendeu. Fiquei tão angustiada que entrei no
carro e dirigi até o local do funeral. Antes mesmo de chegar lá, recebi
um telefonema com a terrível notícia de que meu marido havia sido
morto."
"Gyang amava os nigerianos e a obra do Senhor neste país. E eu o amava muito", disse ela, "é muito difícil avançar sem ele."
Perseguição aos cristãos
A Nigéria ocupa o 13º lugar na classificação de países que mais
perseguem os cristãos. Embora exista liberdade para evangelizar, há uma
forte oposição dos muçulmanos contra os cristãos que praticam este
ministério. A oposição islâmica já foi responsável pela morte de muitos
mártires, especialmente na região norte do país.
O estado de Jos é o local de maior tensão entre cristãos e muçulmanos:
entre 1999 e 2001, uma série de revoltas e motins ocorreu na cidade,
onde mais de mil pessoas foram mortas. No natal de 2011 diversos ataques
à bomba foram direcionados contra igrejas cristãs nos quais mais de 40
pessoas foram mortas. O grupo radical islâmico Boko Haram assumiu a
autoria dos atentados. Não deixe de orar pelo restabelecimento da paz na
Nigéria.
Fonte: Portas Abertas
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