Nigéria é apontada como o país mais opressor aos cristãos em 2012
É o que revela a pesquisa da Portas Abertas para a Classificação de países por perseguição 2013, lançada em janeiro. Dados mostram que entre novembro de 2011 e outubro de 2012, foram registrados 1.201 assassinatos de cristãos em todo o mundo (o que equivale a 100 assassinatos por mês, em média), dos quais, 791 aconteceram na NigériaA maioria dos assassinatos acontecidos na Nigéria – país mais populoso da África –, no período referido acima (2011/2012), se deu em consequência aos ataques contra a Igreja na capital Abuja e ao norte do país, em cidades como Jos e Kaduna, e Estados como Borno, Bauchi e Yobe.
O grupo radical Boko Haram, que já causou
diversos estragos no país por meio de uma forte onda de violência, tem
lutado para derrubar o governo e criar um Estado essencialmente
islâmico. Domingo (3), o ex-ministro da Defesa, Theophilous Danjuma,
descreveu o norte da Nigéria como em meio a uma guerra civil declarada
por seitas religiosas fundamentalistas.
Muitas famílias cristãs fugiram para Estados
ao norte do território e a minoria de pessoas que permaneceu em suas
casas, vive com o medo permanente de ataques de homens armados. Apesar
da implantação da força-tarefa do governo, uma unidade especial do
exército, a segurança está bastante frágil.
Recentemente, a Associação Cristã da Nigéria
(CAN, sigla em inglês), agrupamento paraeclesiástico da Nigéria, que
envolve as denominações cristãs do país, está lançando um fundo para
arrecadar dinheiro em apoio às vítimas (e seus familiares sobreviventes)
de ataques de militantes islamitas do Boko Haram. De acordo com a
organização Human Rights Watch os extremistas tiraram a vida de mais de três mil pessoas desde 2009.
Estima-se que, da população de 160 milhões de
nigerianos, cerca de 70 milhões são cristãos. A CAN é a instituição mais
representativa desse grupo, composta pelo Conselho Cristão da Nigéria, o
Secretariado Católico da Nigéria, a Irmandade Pentecostal da Nigéria, a
Organização das Igrejas Africanas Instituídas e a Irmandade Evangélica
do Oeste da África.
O fundo recebeu uma doação inicial, esta
semana, com a visita do presidente da administração de um grupo
norte-americano parceiro à Associação Cristã da Nigéria, o CANAN. O
valor da doação foi de 50 mil dólares. A contribuição foi apresentada
durante uma cerimônia realizada no dia 4 de março, em Abuja.
O secretário-geral da CAN, Rev. Musa Asaki
disse à Portas Abertas que essa foi a primeira grande doação para o
fundo, e que, segundo ele, já está sendo revertida em ajuda a muitas
vítimas desalojadas, as quais precisam urgentemente de assistência
financeira.
"Antes dessa doação, havíamos pensado em
lançar formalmente o fundo, especialmente porque o governo ainda não se
mobilizou em favor das vítimas cristãs, enquanto fomos informados de que
as autoridades pagaram 100 milhões de nairas (valor equivalente a mais
de 665 mil dólares) para a família do falecido líder da seita Boko
Haram", afirmou Asaki.
"Através de cristãos e organizações da Igreja, recebemos muito material e apoio financeiro para as vítimas. O próprio pastor presidente da CAN, Ayo Oritsejafor, doou. Mas, agora, vamos a público para obter apoio, tanto quanto pudermos, para tantas vítimas quanto for possível", compartilhou Asaki. "Cristãos nigerianos em todo o país têm demonstrado que são verdadeiramente irmãos e irmãs, pela maneira como eles têm sustentado e auxiliado as vítimas dos conflitos," concluiu ele.
"Através de cristãos e organizações da Igreja, recebemos muito material e apoio financeiro para as vítimas. O próprio pastor presidente da CAN, Ayo Oritsejafor, doou. Mas, agora, vamos a público para obter apoio, tanto quanto pudermos, para tantas vítimas quanto for possível", compartilhou Asaki. "Cristãos nigerianos em todo o país têm demonstrado que são verdadeiramente irmãos e irmãs, pela maneira como eles têm sustentado e auxiliado as vítimas dos conflitos," concluiu ele.
Asaki acrescentou que é lamentável as
atividades terroristas não terem diminuído, pelo contrário, terem sido
autorizadas a continuarem sendo praticadas livremente, especialmente no
caso de ataques contra cristãos inocentes. Um pastor de Kano narrou como
oito membros de sua igreja foram mortos em um único levante violento,
em 23 de fevereiro. Os agressores pediram os nomes dos indivíduos aos
seus colegas de trabalho antes de abrirem fogo contra os cristãos.
Outro homem de Borno contou que foi baleado na
boca frente à sua esposa e filhos por se recusar a renunciar sua
religião. Vivo, mas com a boca perfurada, ele foi para o hospital para a
realização de uma cirurgia.
Nesse mesmo contexto, o presidente Goodluck Jonathan fez, em 7 de
março, sua primeira visita ao Estado de Yobe (base do Boko Haram), desde
que assumiu o poder em 2010. Em visita a outro Estado, ele descartou a
possibilidade de conceder anistia aos militantes do Boko Haram, decisão
exigida por alguns líderes do Norte.O presidente alegou que não era possível negociar um acordo com os terroristas, cujas identidades e exigências não são claras. "Não podemos declarar anistia para fantasmas", disse ele.
Na Classificação de países por perseguição 2013, a
Nigéria se manteve no 13º lugar (como em 2012), mas a perseguição que
antes era considerada somente no norte do país, agora se expandiu para
todo o território. Saiba mais aqui.
Informações: World Watch Monitor
Tradução:Ana Luíza Vastag
Fonte: Portas Abertas
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