Assembleiana recebe Prêmio Jovem Cientista por criar plástico a partir de embalagens de arroz e feijão com bagaço de cana
Cibele Rosa é aluna do 3º ano de Engenharia Industrial Química da Escola de Engenharia de Lorena
Confira reportagem publicada na revista Geração JC nº 87:
Desde pequena, Cibele Rosa sonhava em ser cientista. Como não tinha
muitos brinquedos, ela inventava. E foi inventando que a jovem, de 24
anos, alcançou o 2º lugar do Prêmio Jovem Cientista 2011 na categoria
Estudante do Ensino Superior. O trabalho da aluna do 3º ano de
Engenharia Industrial Química da Escola de Engenharia de Lorena (EEL) da
USP foi escolhido dentre 2.300 projetos.
Cibele nasceu em São José dos Campos (SP) e aos 15 anos se mudou para
Lorena para estudar no Colégio Técnico. Em 2005, formou-se técnica em
química. Um ano depois, passou no concurso para Assistente Técnico de
Laboratório da EEL e 2007 ingressou na Faculdade Química de Lorena,
tornando-se aluna da USP.
Mesmo sendo técnica em química, Cibele queria ser farmacêutica e, para
dificultar a escolha, ela ganhou uma bolsa de estudos em São Paulo.
Cibele pensou, pensou e decidiu ser engenheira. Rodeada por engenheiros
químicos, a escolha não poderia ser outra. A jovem é irmã de Wanderson e
Wanderley Oliveira, ambos engenheiros, é cunhada da engenheira Elaine
França, que é filha do professor França, seu próprio professor no curso
de Engenharia. E como não bastasse, ela é casada com o engenheiro Mateus
Martins. Ufa!
Bi, como é conhecida pelos amigos, se dedica aos estudos, mas também se
empenha na igreja. Ela ajuda o esposo na Escola Dominical e coopera no
departamento infantil da Assembleia de Deus em Lorena (SP), liderada
pelo pastor José Tenório dos Santos.
Quando não está trabalhando, estudando química, inglês ou na igreja,
Cibele gosta de brincar com a “filhinha”, uma Shih-Tzu, de um ano,
chamada Mel.
Você sonhava ser cientista?
Acho que toda criança sonha em ser cientista. Quando eu era criança,
não tinha muitos brinquedos, mas eu inventava muitas coisas. Sempre fui
muito curiosa, eu gosto de aprender de tudo e acho que essa curiosidade
faz parte de quem gosta da ciência.
Quando criança, você se via em que profissão?
Para falar a verdade, eu já quis ser de tudo, de bailarina até médica,
mas quando entrei no colégio técnico em química, descobri que era isso
que eu queria, apesar de ter uma quedinha por farmácia.
Você foi influenciada pelos seus irmãos engenheiros?
Meus irmãos me apoiaram muito para entrar no colégio técnico, mas eu
nunca quis ser engenheira. Na verdade, eu queria fazer farmácia, mas
meus pais não tinham condições de me manter estudando em outra cidade.
Na época, eu já trabalhava na faculdade quando decidi prestar o
vestibular. Acho que no início foi mais uma questão de me adaptação.
Hoje eu sou muito feliz e sei que escolhi a profissão certa.
Porque decidiu se inscrever no prêmio?
Esse ano, o tema foi Cidades Sustentáveis, e nós vimos que tinha tudo a
ver com o nosso trabalho, então decidimos tentar e, graças a Deus,
dentre 2.300 trabalhos, o nosso foi escolhido.
Você pensou que poderia estar entre as vencedoras?
Eu sempre acreditei no trabalho, mas também sabia que ele era muito recente e que iria competir com muitos trabalhos bons.
O que sentiu quando soube que tinha vencido?
Fiquei muito feliz, demorei para acreditar que era verdade. Na hora, liguei para o meu orientador pra contar a novidade.
Qual a sensação de ter o trabalho reconhecido pela maior autoridade do país?
Um orgulho muito grande e também uma sensação de responsabilidade por
estar representando minha universidade e os estudantes do meu país.
Você deu entrevista para diversos órgãos de imprensa. Como foi?
Fiquei com muita vergonha, pois é tudo muito diferente, mas também
fiquei muito orgulhosa de falar do meu trabalho e é legal depois
encontrar com as pessoas na rua dizendo que me viram na TV (risos).
Qual foi a reação da igreja quando soube da notícia?
O pastor ficou feliz, e um dia no culto ele me chamou lá na frente e a
igreja orou agradecendo a Deus pela minha vitória. Foi muito bonito e
emocionante.
Conte um pouco sobre o seu projeto?
Ele estuda uma forma de diminuir o impacto ambiental causado pelos
resíduos sólidos urbanos (lixo). Nós fizemos a caracterização dos
resíduos sólidos gerados no nosso município, Lorena (SP), e detectamos
que existem muitos materiais que são recicláveis, no entanto, são
rejeitados pela coleta seletiva. A maioria desses materiais é composto
por filmes plásticos. Só no nosso município, mais de 1.000 toneladas de
filmes plásticos vão parar no lixo anualmente. Diante disso, nós
propomos a obtenção de um novo material, que possibilite a reutilização
desses filmes e que agreguem valor a eles.
E como funciona na prática?
As sacolas plásticas que embalam alimentos como arroz e feijão provocam
muitos prejuízos para a natureza. Elas são recicláveis, mas o baixo
valor comercial desse plástico faz com que ninguém queira reciclá-las.
Pensando nisso, comecei a pesquisar uma solução para esse plástico:
fazer o filme plástico ganhar valor comercial. Misturamos o plástico com
bagaço de cana. O resultado é um plástico marrom.
De que maneira ele pode mudar a vida das pessoas?
Nós podemos evitar que todo esse volume de plástico vá para os lixões e
aterros, o que aumenta a vida útil dos mesmos e diminui o impacto
ambiental causado por esses resíduos. Além disso, a implementação do
projeto na comunidade deve gerar muitos empregos e aumentar a renda dos
catadores. A população tem um papel fundamental nesse projeto. É muito
importante que nós separemos o lixo nas nossas casas, assim cada um
estará fazendo a sua parte.
Qual o papel de Deus na sua conquista?
Deus é tudo na minha vida, tudo o que eu sou e o que eu tenho eu devo a
Ele! Sempre oro pedindo a Deus que guie os meus passos, as minhas
escolhas e até aqui Ele tem me ajudado. Eu não esperava ganhar esse
prêmio, nunca nem sonhei que pudesse conhecer a presidente do meu País,
isso é coisa de Deus mesmo. Glória a Deus!
Qual foi o momento mais difícil da pesquisa?
Trabalhamos com os resíduos do lixo, e não foi nada fácil, pois é um
trabalho que ninguém quer fazer. Saímos pelas ruas da cidade coletando
lixo e as pessoas até zombavam, não entendiam porque estávamos fazendo
aquilo.
Pensou em desistir?
Pensei em desistir, sim. Algumas vezes me senti humilhada e até
perguntava pra Deus porque eu estava fazendo aquilo. “Tantos projetos e
eu aqui mexendo com lixo?”, mas eu sabia que tudo aquilo era por uma boa
causa.
Quais foram os prêmios que você ganhou?
Ganhei a viagem para Brasília para receber o Prêmio das mãos da
presidente Dilma Rousseff, e ainda pude levar minha mãe, meu esposo, meu
orientador e o diretor da minha universidade. Eu recebi um cheque de R$
12 mil e meu orientador ganhou um computador e uma impressora. Além
disso, fomos convidados para conhecer a unidade da General Eletric em
Petrópolis (RJ). Esse prêmio, com certeza, é um grande incentivo para o
nosso trabalho e um marco na minha vida!
Como dará prosseguimento na pesquisa?
O nosso material ainda está em fase de testes, agora nós estamos
buscando parcerias e financiamento para implementarmos o projeto na
comunidade. Também queremos fazer um projeto educacional nas escolas
para ensinar aos alunos a separarem o lixo e mostrar que uma cidade
sustentável é feita por cidadãos sustentáveis.
Qual recado você daria para a juventude?
Jovem, dê o seu melhor em tudo. Sonhe e lute para alcançar seus
objetivos. Seja fiel a Deus, porque Ele é fiel a nós e tem tudo para dar
àqueles que nEle confiam e que fazem a Sua vontade.
Fonte:CPAD NEWS
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